Artigo de opinião de Ricardo T Oliveira – do outro lado do Atlântico – “O Brasil está barato?”

Em várias conversas tidas com amigos e conhecidos, nos últimos tempos (meses), muita gente me tem questionado se o Brasil “está barato” e se não está na altura de lá fazer alguns investimentos, ou apenas (singelamente) lá ir fazer umas férias.

Pois bem, quando aqui falo de investimento refiro-me a pequenos investimentos de particulares, sobretudo voltados para o imobiliário. Houve muita gente que investindo nessa área no Brasil, no início deste milénio, conseguiu ótimos retornos, sobretudo porque vendeu esses ativos antes de 2014, ou seja, antes da crise séria eclodir.

Estando eu no Rio de Janeiro, foi acerca dos valores nesta cidade (e estado) que fui fazer algumas pesquisas, para conseguir obter subsídio para as questões que me tem colocado… Apesar da retração do mercado imobiliário no Rio, o valor do metro quadrado carioca ainda é o mais caro do País! (e quiçá da América Latina)

Notícias como a do jornal Brasil Económico de 31/03/2011 estão muito longe da realidade atual, mas obrigam a que se olhe para este tema da aquisição de imóveis com cautelas (não só no Brasil, como em Portugal também).


Em 10 anos, apartamentos em Ipanema tiveram valorização de 600%

A maior quebra (em torno de 20%) no valor dos imóveis no Brasil deu-se entre 2014 e 2017 quando o desemprego aumentou muito e o acesso ao crédito bancário para esse tipo de aquisição se tornou mais restritivo. Os indicadores desde então apontam para uma pequena retoma nos preços, apesar de, na minha opinião, isso não corresponder ao valor real dos imóveis e dos montantes em que se concretizam os negócios.

Estes índices são muitas vezes calculados nos preços publicados de anúncios de venda (internet e jornais). Mas, o que acontece é que nos idos anos “quentes” do início do milénio os proprietários anunciavam um preço e não o baixavam, havendo quase sempre quem o comprasse. Atualmente, há a tendência para reduzir significativamente os preços anunciados, sobretudo se o pagamento é à vista, face à necessidade que o proprietário muitas vezes tem de realizar capital.

Até agora não avancei muito acerca de estarmos, ou não, na boa altura de voltar a investir num imóvel no Brasil (e no Rio de Janeiro) e tirar os respetivos proveitos no médio e longo prazo. Não é uma resposta fácil…

Ponto 1 – os preços de anúncio de imóvel não baixaram muito. Vá ver o imóvel e negoceie. Apresente uma proposta agressiva e espere.

Ponto 2 – nunca se esqueça de avaliar o valor do condomínio. Em muitos casos no Brasil isso pode representar cerca de 50% do valor teórico do aluguel e tirar rentabilidade ao negócio.

Mas, também, e quem sabe assim de tudo, aquilo de que se questionam alguns portugueses é se a prazo a moeda brasileira (R $) vai ter uma valorização face ao dólar e sobretudo face ao euro, o que tornaria o negócio imobiliário muito mais atrativo. E é sobre isso que se torna mais sensível dar uma opinião.

O real nos últimos 10 anos teve uma desvalorização superior a 50% face ao euro, tal como se pode verificar no gráfico seguinte:


Evolução Euro/Real – 2010/2020

Claro que nestes 10 anos existiu inflação (e alta no Brasil), associado a taxas de juros também altas que em parte absorvem essa desvalorização, face à inflação e taxas de juro na zona euro/dolar. Mas efetivamente o risco cambial é sempre elevado, não sendo prudente apontar com certeza para nenhum valor alvo a médio prazo.

Vários economistas apontavam em meados de 2019 para que o dólar pudesse baixar para 3,5/3.6 reais no final do ano, tendo, no entanto, fechado acima de 4 reais. Dizem vários atores mundiais (entre eles o presidente Trump) que o governo brasileiro tem mantido o real artificialmente fraco, para favorecer as exportações… se assim for, o real irá mesmo, a prazo valorizar!

Tentando objetivar um pouco, julgo que, com prudência, poderá valer a pena fazer um investimento nesta área, sendo de extrema importância que se avalie a verba que se tem disponível para gastar, pois, tal como em Portugal também, um imóvel de melhores características e mais bem localizado (consequentemente de valor mais elevado) terá tendência para melhores rendimentos.

Entretanto, enquanto pensa no imóvel que gostaria de comprar, e aproveitando a baixa do real, marque umas férias no Brasil (eu de forma suspeita aconselho o Rio de Janeiro), tentando fazer as suas reservas localmente. Fora das principais épocas festivas – fim de ano e carnaval – vai encontrar preços muito atrativos, ofertas com qualidade e, quem sabe, achar o Brasil barato!!

Depois é só ter prudência para evitar eventuais situações de insegurança.