Brasil pode instalar um hub no Porto de Sines

José Luís Cacho, Presidente do Conselho de Administração dos Portos de Sines e do Algarve participou, esta sexta-feira, na Videoconferência “Os portos de Portugal em tempos de Covid-19”, programada pelo Fórum Nacional Brasil Export/Nordeste Export. Trata-se de encontro exclusivo para os patrocinadores do Brasil Export e integrantes dos Comitês Orientadores.

Entusiasmado com uma parceria maior, entende que o país poderá instalar um hub no Porto de Sines como porta de entrada para a Europa, visando ampliar as oportunidades de negócios para as exportações brasileiras.

“Temos um bom movimento de cargas para o Brasil, com uma linha semanal de contêineres e outros tipos de cargas, como granéis líquidos. Eu diria que, dado esse fluxo e as possibilidades que nosso porto tem, pode ser uma oportunidade para as exportações brasileiras. Temos terminais especializados para todos os tipos de cargas. Também no setor do agronegócio, quer por carga de granel ou conteinerizada, o Brasil, pode olhar para Sines como abertura para o desenvolvimento das exportações brasileiras”, ele aponta.

Segundo Cacho, o Porto de Sines tem uma estratégia muito focada no desenvolvimento de parcerias com o Brasil e a América do Sul, e conta com o apoio do governo português.

Pandemia

Luís Cacho é de Aveiro, mas com a crise atual conta que está há dois meses sem sair de Sines. “Estamos vivendo um período complicado por conta do coronavírus. O porto está com plano de emergência, mas estamos funcionando normalmente. Felizmente as coisas têm corrido bem, essa não é uma zona muito atingida pela pandemia, tivemos alguma dificuldade inicial, mas foi controlado, com alguns sacrifícios para todos”.

Ele revela que, em certa medida, ainda não sentiram o impacto: “Curiosamente, nosso movimento até subiu um pouco mais. É um Porto grande, mais de 50% da carga é portuguesa e estamos no top 15 europeu. E ainda vai crescer muito nos próximos anos, dado os investimentos estrangeiros em vários segmentos de carga que vamos ter. Admito que dentro de cinco anos Sines estará no top 10 europeu”.

O Porto de Sines funciona com terminais especializados em todos os tipos de cargas; granéis líquidos, derivados de petróleo, gasolina, produtos petroquímicos (há muitas indústrias desse setor), gás natural, produtos energéticos e petróleo (há uma refinaria junto ao Porto).

Segundo Cacho, o negócio de contêineres é o que tem mais se desenvolvido: “O terminal de contêineres é uma parceria forte com a Autoridade Portuária do Porto de Singapura, tivemos um crescimento exponencial, que vai continuar”, afirma.

Na área de gás natural, que também tem crescido muito nos últimos anos, o Presidente revela que os Estados Unidos têm uma aposta de tornar Sines uma porta da Europa para esse produto.

Otimismo

Mesmo com o desafio desses tempos de pandemia. Luís Cacho se diz um otimista: “Acredito que essa crise vai trazer momentos difíceis a curto prazo e a economia mundial vai sofrer, mas eu penso que a médio prazo vamos sair, quem sabe, até mais fortes. Devemos olhar para tudo isso como uma oportunidade. E oportunidade é criar coisas novas, diferentes, com valor, para várias economias”.

Nesse contexto, para ele a aproximação de Portugal com o Brasil e a América do Sul tem um potencial muito grande: “Creio que essas economias vão aquecer nos próximos anos. O processo da globalização vai fazer com que cada um se especialize mais em seus potenciais naturais. Podemos criar um desenvolvimento fantástico para as economias do Brasil e Portugal”.

Fonte: APP