Artigo de opinião de Ricardo T Oliveira – do outro lado do Atlântico “A (des)ajuda dos bancos à Economia Brasileira”

Como é sabido de todos, as pequenas e médias empresas são na maioria dos países desenvolvidos um motor importante para o crescimento económico, diminuição de desemprego e criação de cadeia de valor.

Puxando o exemplo recente de Portugal foram essas empresas (pequenas e médias) que mais criaram emprego e fizeram o país recuperar para índices anteriores à crise de 2008. Assim, o desemprego subiu de 8,5% no início de 2008 para 17,4% em janeiro de 2013, tendo recuperado desde então, estando a taxa de desemprego na atualidade abaixo de 7%.

E foram sobretudo essas pequenas empresas (algumas “startups”) e também outras de maior dimensão que, trabalhando muitas vezes de forma agregada, permitiram o emprego de jovens e de outros profissionais, mais ou menos qualificados.

Esta realidade não teria sido possível sem o apoio da banca comercial estabelecida em Portugal (com bancos de capital de várias origens – Portugal, Espanha, França, UK, etc), que com financiamentos aos projetos de muitas dessas empresas – com taxas de juro adequadas ao risco do negócio – ajudaram as empresas a crescer e a intervir de forma muito positiva na situação económica do país.

Ora, julgo que esta realidade, de efetivo apoio dos bancos privados brasileiros às pequenas e médias empresas, é fundamental para que a economia do país cresça de forma sustentada e essas empresas consigam em cadeia com as grandes empresas do país produzir riqueza para consumo interno e externo.

A macroeconomia está com índices propícios a que esse apoio possa dar frutos. Senão vejamos:

  • A taxa Selic está em 5%, valor mais baixo desde que existe o Real, descendo continuamente desde agosto de 2016, quando estava em 14,25%;
  • A taxa de inflação anual está abaixo dos 3%, quando em 2016 estava acima dos 10%.

Gráfico da evolução da Taxa Selic

Neste cenário não se entende as elevadas taxas de juro que os bancos continuam a praticar nos empréstimos – às empresas e pessoas físicas – para além das condições que exigem para concessão desses créditos (sobretudo garantias reais que representam um risco quase nulo).

Assim, mesmo com garantias reais, é difícil conseguir uma taxa mensal abaixo de 0,9% o que leva para taxas anuais acima de 10%, ou seja, o dobro da Selic. No brasil atual há poucos negócios (que eu conheça…) com rentabilidades desta ordem de grandeza!

Dizem os bancos que praticam estas taxas pois a inadimplência é alta. Já os questionei: não será a inadimplência alta, por causa das elevadas taxas de juro? Não obtive resposta…

Os lucros de largos milhares de bilhões de lucros anuais dos principais bancos brasileiros – ITAU, BRADESCO e SANTANDER e dos públicos Banco do Brasil e Caixa Económica Federal – precisam de ser ajustados à custa da melhoria das condições de crédito aos motores da economia da Brasil. Se assim for, todos irão agradecer e o país irá crescer!!

Ricardo Teixeira Oliveira