O autarca do Porto e o embaixador de Portugal no Brasil consideraram, esta segunda-feira, a chegada do coração de D.Pedro IV, o “rei soldado”, a Brasília, um símbolo de amizade e um dos pontos altos das comemorações do bicentenário da Independência do Brasil.

“Em primeiro lugar, é muito importante, simbolicamente para o Brasil, o regresso do coração do vosso primeiro imperador D. Pedro. É muito importante também para Portugal porque foi uma figura crucial na afirmação da liberdade em Portugal”, disse o autarca do Porto, Rui Moreira, numa entrevista transmitida pela TV Globo.

“E para a cidade do Porto que eu aqui represento, porque foi ele também que nos libertou dos jugos que tínhamos e foi considerado pela população do Porto como rei soldado”, acrescentou.

Já o embaixador de Portugal no Brasil, Luis Faro Ramos, disse aos jornalistas que com a chegada dos restos mortais de D. Pedro se estava “a testemunhar uma ocasião única e especial, como único e especial foi o modo como se deu a independência do Brasil há 200 anos.”

“O nome do Dom Pedro está para sempre ligado às relações entre os nossos países”, frisou o embaixador em mensagem enviada à Lusa.

Ramos acrescentou que a presença do coração do antigo monarca é “um ponto alto no contexto das comemorações do bicentenário, para as quais o Brasil convidou Portugal a associar-se, o que fazemos com muito gosto.”

O coração de D. Pedro chegou hoje de manhã a Brasília para ser exposto nas comemorações do bicentenário da independência do país, em 07 de setembro.

O órgão, que saiu pela primeira vez de Portugal e chegou ao país dentro de uma urna de ouro, foi recebido na base aérea de Brasília com as honras de um chefe de Estado e levado sob forte esquema de segurança ao Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.lin

Antes de viajar temporariamente para o país sul-americano que se tornou independente de Portugal em 1822, sob a liderança do monarca que se tornou o primeiro imperador do Brasil, o coração do “Rei Soldado”, que chegou ao Porto em fevereiro de 1835 e que raras vezes saiu do mausoléu da capela-mor da igreja da Lapa, esteve durante o fim de semana em exposição aberta ao público.

Para o retirar do pequeno caixão de mogno guardado no mausoléu são precisas cinco chaves, mil cuidados e uma complexa operação.

Conservado em formol dentro de um recipiente de vidro e, este, dentro de um escrínio de prata dourada, o coração D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal encantou, nos dois dias, 6.294 miúdos e graúdos, portuenses e estrangeiros (3.426 visitantes no sábado e 2.868 no domingo).

O coração de D. Pedro regressa à cidade do Porto a 09 de setembro, ficando novamente em exposição nos dias 10 e 11, antes de voltar a ser guardado a cinco chaves.

Fonte: Jornal de Notícias

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