E depois?

Crónica Ricardo Teixeira Oliveira

Vivemos um dos períodos mais conturbados da história moderna da humanidade, onde o ser humano tem perdido várias batalhas com o Corona Vírus, que é sem dúvida o nosso inimigo público nº 1.

Este nosso tão vil inimigo decidiu tornar-se universal e não olhar a raças, credos, estrato social ou orientações políticas. Espalha-se a uma velocidade vertiginosa, mata muita gente (sobretudo pessoas idosas) e está a ter um efeito devastador na economia do Mundo, não olhando mais uma vez a grandes ou pequenos, funcionando como rolo compressor.

Em Portugal já há muitos estabelecimentos comerciais fechados, grande parte deles ligados ao setor do Turismo, setor esse que tanto tem ajudado nos últimos anos à recuperação da economia e onde foram feitos inúmeros investimentos supostamente para durar algumas décadas. Parece que o governo estará sensível a esse problema, tal como os restantes governos europeus e estão dispostos a injetar largos milhões de euros na economia e no apoio à sobrevivência das empresas, para que no final desta crise não se corra o risco de não sobrar pedra sobre pedra.

Aqui no Brasil a situação a prazo não será diferente (não muito tempo, penso eu), mas por diversos motivos – de dimensão do país, heterogeneidade das regiões, cultura e educação do povo – ainda não se criou um sentimento de unanimidade nacional para enfrentar a crise e se tomarem medidas radicais, que permitam controlar a proliferação da contaminação.

Os números de infetados (oficiais e não só) estão a crescer muito rapidamente nos últimos dias e eu diria que a situação está, para já, descontrolada. Há 2 ministros, para além de vários membros da equipe presidencial, que estão infetados. Ainda esta tarde houve uma coletiva do governo federal – todos de máscara, onde foram anunciadas algumas medidas de proteção à economia e ao emprego (formal e informal), medidas essas que segundo o ministro Paulo Guedes serão atualizadas todas as 48 horas.

A ver vamos se aqui no Brasil e em Portugal, bem como no resto do mundo, estas iniciativas governamentais (que se querem radicais) surtem efeito e podemos quanto antes voltar a conviver. Nós portugueses, povo bem gregoriano, precisa de conviver para se realizar e eu já espero ansiosamente por esse dia nas vidas de todos.

E é exatamente acerca desses novos dias que eu tenho refletido nos últimos tempos e me tenho questionado: e depois?

Como vai ser o mundo depois de tudo o que se está a passar? É a “1 million dólar question”, milhão esse que eu duvido que alguém consiga ganhar.

Há, pois, imensas interrogações que nos invadem e que para os quais eu gostaria de conseguir levantar a ponta do véu. Seria útil que o meu núcleo de contatos fosse imaginando respostas e as transmitisse. Abríamos um interessante espaço de reflexão sobre o futuro, pois os desafios e como vamos ser depois desta “guerra” é intrigante e ao mesmo tempo desafiante.

Começando por coisas básicas e positivas:

Será que vamos manter os bons hábitos de higiene a que fomos obrigados por estes dias e que deviam fazer sempre parte do nosso dia a dia?

Será que a redução da poluição atmosférica que já é um fato na China e Itália e que tem poupado vidas, se vai manter nos pós Covid-19, ou será que vamos voltar a crescer e voltar a poluir como anteriormente?

Estas perguntas aparentemente básicas entroncam, em particular a 2ª, na forma com que o mundo se vai reorganizar. Há vários setores da economia que vão emagrecer, há empresas que não vão resistir e desparecer. Mais uma rodada:

                Quem vão ser os grandes players mundiais quando tudo normalizar?

                Será que mobilidade louca que existia no mundo se vai manter?

O que vão fazer as empresas que tiveram sucesso no home office neste período? Vão voltar a chamar toda a gente para o escritório?

E o Turismo? A restauração? A aviação? São 3 setores fortemente afetados nestes dias. Como vai ser o seu reposicionamento e eventual crescimento?

São muitas as dúvidas e as incertezas para, por ora, debater e questionar e que mais tarde vai exigir de todos nós um posicionamento.

Em minha opinião vai ser uma época de oportunidades para muitos que até agora, provavelmente, nunca imaginaram ter sucesso e deverão olhar para as janelas que se irão abrir. Muitas delas diferentes das que agora temos, ou, noutros casos, para preenchimento de vazios que infelizmente, mas certamente, se vão abrir.

Por último, há algumas situações de relacionamento que precisam ser bem avaliadas por todos os sociólogos e antropólogos dos diversos países do mundo, que é saber:

O que vai acontecer aos inúmeros casais que foram compulsoriamente obrigados a viver 24×24 horas no mesmo espaço, alterando radicalmente hábitos anteriores de muitos anos?

A relação dos filhos com os pais vai sair fortalecida por esta imersão a que muitos serão obrigados, muitas vezes com os pais a terem de gerir o seu teletrabalho?

E os avós e outos idosos? Como ficará o seu estado de espírito depois destes momentos difíceis, em que foram obrigados a alterar os seus hábitos?

Em tempo extra, dizer que o cenário como o desta manhã na praia de Ipanema era desolador e deprimente. Deixo a imagem para que todos percebam o sentimento, mas prometo com esperança vir um dia destes (há quem diga que é mais cedo do que agora se anuncia) trazer uma nova foto, já com tudo no lugar. Aí, a juntar ao mar estarão os turistas, os locais, os vendedores e muita alegria, caipirinha e tudo a que esta gente tem direito!

Bem hajam e vamos vencer o bicho!