Economistas veem retomada consistente da economia

O ex-presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou que “o crescimento da economia pegou via consumo”. O resultado positivo de 0,6% do PIB do terceiro trimestre, acima da média das expectativas, está obrigando bancos e consultorias a atualizar as projeções de crescimento para este ano e para 2020.

Não será surpresa se, nessas reavaliações, a previsão de crescimento para 2020 chegar a 2,5%. O economista Armando Castelar, da Fundação Getúlio Vargas, diz que a projeção para o quarto trimestre é de um crescimento de 0,9%. O que tornaria realista projetar um crescimento de pelo menos 2,4% para o ano que vem.

Para Ilan, “o estímulo monetário está funcionando”. Em três anos, a taxa básica de juros caiu de 14,25% para os atuais 5%. O efeito dessa redução demorou, certamente por conta do endividamento elevado das famílias e das precárias condições financeiras das empresas. Mas, finalmente, o crédito está se expandindo, com juros menores, o que potencializa o poder de compra dos consumidores e barateia o financiamento às empresas.

Além da melhoria já expressa nos indicadores econômicos, Castelar destaca como relevante para o cenário de 2020 aquilo que identificou como uma mudança no ânimo e na confiança das pessoas e dos agentes econômicos. “Se as pessoas acham que as coisas vão melhorar, as coisas melhoram. Existe esse fator subjetivo”, afirmou.

O que pode atrapalhar 2020? Não haverá mais efeito da liberação dos saldos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A situação econômica global, com redução do crescimento e consequente redução das nossas exportações também é um limitador. As tensões políticas regionais são outro fator de preocupação.

Mas tanto Ilan quanto Castelar consideram que a retomada da economia é consistente. Os fatores externos podem limitar, mas não bloquear uma retomada mais forte em 2020, que deve ser o dobro do de 2019. Não é nada espetacular, mas pelos menos o país terá saído da estagnação dos últimos três anos, depois de ser sofrido com dois anos de recessão.

Fonte: G1