Entrevista a Elisabete Silva, CEO da Shodó Arts&Crafts

A Shodó Arts & Crafts nasceu do sonho em mostrar o que há de mais criativo e fascinante na arte e artesanato popular brasileiro. O principal objectivo é ligar artistas e artesãos brasileiros com pessoas que têm interesse em conhecer a sua arte.

Entrevistámos Elisabete Silva, CEO da Shodó Arts & Crafts, para conhecer a Shodo e entender os objetivos no mercado nacional portugues.

Como nasceu a Shodo Arts & Crafts?

Há algum tempo eu tomei conhecimento de um movimento de resgate da arte e artesanato popular brasileiro, a descoberta ou redescoberta de técnicas antigas de mestres artesãos e também de jovens que começaram um trabalho de valorização do saber fazer manual, mesclando técnicas mais antigas com uma nova linguagem. 

Comecei a me interessar, pesquisar, entrar em contato com alguns artesãos por curiosidade e admiração. Com esse contato descobri que muitos artesãos, especialmente os mais simples, de origem humilde, alguns morando em locais de difícil acesso e que tem trabalhos incríveis, não tem consciência do valor da sua arte e normalmente vendem seus produtos por preços irrisórios, que chegam às capitais do Brasil valendo até 5 vezes o preço, mas também para a Europa e Estados Unidos. Os artesão ficam com uma parte muito pequena do valor, muitos têm dificuldades financeiras grave. Em grandes cidades brasileiras está crescendo o número de lojas que comercializam estes produtos.

Isto me deu a ideia de trazer seu trabalho para a Europa, negociando diretamente com os artesãos e eliminar o máximo possível de intermediários, dessa forma praticando um comércio justo. 

A ideia é ser uma “”vitrine” para estes artesãos na Europa, acredito que isto ajuda a valorizar ainda mais o seu produto dentro do Brasil, porque é o que acontece quando um produto ou marca brasileira passa a ser importada, ela ganha mais crédito, visibilidade e prestígio. Mas também, na Europa de um modo geral, as pessoas acederem ao que de mais moderno se faz, tanto na área das artes plásticas como na área do artesanato de autor com origem no Brasil. Muitos desses objetos, só se teriam acesso se ir pessoalmente ao Brasil.

Sabendo que trabalham com diversos artesãos e sabendo do tamanho continental do Brasil, como é feita esta seleção e curadoria das peças?

Por maior que seja o Brasil, existe uma “rede” de pessoas que trabalham com esses artesãos. São pessoas comprometidas em divulgar, valorizar e praticar comércio justo, e este, é por assim dizer, um número relativamente pequeno, o que quero dizer é que, todo mundo conhece todo mundo, e existe um intercâmbio muito rico de informações, indicações e ajuda. Porquê o foco não é a competitividade comercial, são pessoas apaixonadas pela nossa arte popular. Dentro desse contexto, é fácil saber quem está trabalhando de forma séria, ou seja, que não está visando apenas o lucro. Sendo assim, temos contato com outras marcas, organizações sociais sérias que fazem indicações, passam contatos e facilitam a “descoberta” desses artistas.

Para além disso, foi feita muita pesquisa através de orgãos governamentais,  visitas à centros culturais, exposições e feiras. Visitamos a maior feira de artesanato da América Latina – Feira de Artesanato de Pernambuco – no início desse ano, e tivemos contato direto com diversos mestres artesãos de todo o país. 

É importante dizer que, além dos objetos de arte e artesanato, também temos trabalhos de projetos sociais, como Meu Mandacaru, que trabalha com uma comunidade em uma área muito vulnerável em Betânia do Piaui, é um lugar distante e de difícil acesso em que todo o resultado da venda dos produtos feitos pela ONG é revertido para o desenvolvimento social da comunidade. 

Também temos produtos de pequenas marcas de design autoral, como capas para almofadas em tecidos naturais e pintadas à mão, objetos de decoração bijuterias em madeira ecológica, tudo produzido manualmente. Estamos ansiosos para trazer outras marcas como estas, dar visibilidade e incentivo. 

Como foi o processo de decisão de vinda para Portugal?

Ao pensar nesse projeto, Portugal foi a primeira opção que veio à mente, pela

proximidade cultural, o interesse natural pelo Brasil. Portugal sempre foi um grande consumidor da cultura brasileira através das novelas, moda, música, sempre existiu um intercâmbio cultural positivo. Para além disso, o bom relacionamento comercial entre os países, as facilidades burocráticas e incentivo na abertura de pequenos negócios no país. 

Veem o mercado português como uma plataforma para o crescimento na Europa? 

Sem dúvida alguma, vemos o país como uma porta de entrada para outros países do continente, o nosso site já tem opções de envio para alguns desses países. 

Portugal tem um potencial turístico enorme. O clima, gastronomia e cultura atraem turistas de toda a Europa e de outros continentes. Portanto, o público principal é o português, mas queremos chegar em outros países da UE. 

A venda das peças / produtos será feita exclusivamente online

A princípio sim, e também queremos participar de feiras e eventos. Estamos abertos para deixar as peças em consignação em outras lojas. Isso porque queremos começar com cautela, ir sentindo o público, os produtos que mais fazem sentido, perceber melhor os que têm maior interesse e aceitação. Futuramente, queremos o nosso próprio espaço. Estamos começando pequenos, mas somos ambiciosos. Através do nosso espaço online e posteriormente físico, queremos mostrar um Brasil fora dos clichês convencionais, divulgar além da arte popular, também a música brasileira com toda a sua diversidade, sonoridades pouco conhecidas e divulgadas, imagens etc Será um espaço não apenas para a venda de produtos, mas para conhecer o Brasil.

Quais os principais objetivos para o próximo ano?

Estamos começando pequenos, por isso consolidar a marca é uma prioridade, fazê-la conhecida. Queremos ampliar o número de artesãos, existem trabalhos incríveis de várias regiões do país que queremos trazer, e também marcas e projetos sociais com quem queremos trabalhar, e claro, abrir nosso próprio espaço!

Clique aqui para conhecer os pordutos!