Totalcross, a mais recente startup investida pela Core Angels Atlantic

Entrevista com Lucas Galvanini, CMO da TotalCross, plataforma de desenvolvimento de aplicações.

CCILB: Nos explique como surgiu a TotalCross?


Lucas Galvanini: O TotalCross é um projeto que surgiu de uma tese de mestrado dentro de uma universidade no Brasil. O objetivo era criar uma plataforma de desenvolvimento de aplicações, fazendo com que um único código fonte gerasse aplicações para todos os dispositivos móveis (smartphones, notebook, tabletes, etc). Essa tecnologia evolui por vários anos e inclusive foi comercializada em vários países, até que em 2017 foi criada a Startup.

CCILB: Quais as funcionalidades da plataforma?


Lucas Galvanini: TotalCross permite que um desenvolvedor de software crie aplicações para diferentes dispositivos sem necessitar conhecimentos específicos. Até 2019 o foco eram dispositivos móveis, porém na metade de 2019 a TotalCross começou a investir seus esforços para também gerar aplicações para dispositivos embedded e IoT.

CCILB: Quando decidiram que seria a altura para internacionalizar? Em que fase de maturação da empresa se encontrava?


Lucas Galvanini: No momento que decidimos investir no mercado embedded e IoT, visto que este mercado ainda é bastante incipiente no Brasil. Junto com esta mudança de mercado, a TotalCross também mudou seu modelo de negócio, ser tornando uma tecnologia Free & Open Source. Apesar de termos receita dos nossos clientes do mercado mobile, no mercado embedded e IoT estamos iniciando com os primeiros clientes. Porém, o foco principal nesse momento é gerar “awareness” para criar uma comunidade de desenvolvedores TotalCross.

CCILB: Dentro da Europa, porque decidiram começar por Portugal?


Estamos sendo investidos pela COREangels Atlantic e obrigatoriamente tivemos de abrir um escritório em Portugal. Mas obviamente o motivo não é unicamente esse. A TotalCross já vinha estudando o mercado Europeu há mais de um ano e já tínhamos conhecido o ecossistema português e francês, além de termos conversado com startups brasileiras que se instalaram no Reino Unido e Espanha. Desde então, já tínhamos preferência por Portugal por:

  • Menor custo (infraestrutura da empresa e custo de vida das pessoas que se mudariam para cá)
  • Ecossistema altamente internacionalizado e com foco em negócios no exterior
  • Custo de profissionais de tecnologia (bem abaixo dos outros países da Europa)

CCILB: Sabemos que contaram com investimento por parte da CoreAngels Atlantic? De que forma é a sua participação?


Lucas Galvanini: Como CMO e um dos sócios, tive participação direta, tanto no processo de apresentação do projeto para os investidores quanto na decisão da própria empresa em aceitar o investimento e abrir uma unidade em Portugal.

CCILB: Participam na gestão da empresa na sua fase de internacionalização?


Lucas Galvanini: Essa nova fase da empresa está sendo liderada por mim, que me mudei para cá e sou gerente da TotalCross Portugal, e pelo Bruno, nosso CEO.

CCILB: Pode mencionar-nos qual o modelo? Quais as principais vantagens?

Lucas Galvanini: Como dito anteriormente, o foco da TotalCross na Europa é gerar uma comunidade de usuários. Dentro desse mercado de ferramentas Open Source, a aquisição de usuários é mais relevante que o próprio aumento de receita. Então dentro deste contexto, estamos trabalhando para criar essa comunidade, que nos ajudará a evoluir nossa ferramenta e divulgá-la. Esta mesma comunidade também nos trará informações relevantes de mercado para gerarmos produtos pagos e assim, gerarmos receitas adicionais. Atualmente nossa forma de receita é venda de planos de suporte, treinamento e serviços.
O TotalCross traz como principais vantagens o “easy-to-use” e alta performance, requisitos imprescindíveis para o de embedded e IoT.

CCILB: Quais as perspectivas futuras para a TotalCross na Europa?

Lucas Galvanini: Atualmente já temos fechada uma parceria com uma fabricante de hardware suíça, chamada Toradex. Estamos neste momento desenvolvendo novas parcerias com empresas gigantes do mercado, como a holandesa NXP, e devemos seguir nesta linha de desenvolvimento de parcerias estratégicas e geração de comunidade, mas sempre utilizando Portugal como base.

Fonte: Redação