“Vamos ter que sustentar milhões de pessoas”

André Jordan é uma das figuras mais emblemáticas do turismo português: seja pela Quinta do Lago, Vilamoura, Belas Clube Campo ou pela frontalidade, por vezes, desconcertante, tanto à esquerda como à direita. A sua família fugiu do holocausto, quando ainda era criança, e foi no Brasil que ganhou o sotaque que nunca abandonou.

Como olha para a crise que estamos a viver?

Vou fazer 87 anos, sou uma pessoa consciente, passei pela Segunda Grande Guerra, apesar de termos fugido no momento certo, na invasão da Polónia. Penso que nunca tinha visto uma situação tão descontrolada como a desta pandemia, porque ninguém sabe o que é, ninguém sabe como se trata. Imagine o que é a única defesa quanto a esse vírus é não termos contacto entre nós, entre as pessoas. É a única maneira de atenuá-lo porque também não sabemos se se cura. A situação económica que isto causa é sem precedentes. Penso que nem a crise de 1929 foi tão profunda como isto. Vejo com muita preocupação, mas também com alguma confiança na ingenuidade das pessoas e na capacidade de superarem as situações como tem sido demonstrado. Vamos ver o que vence: se a criatividade, a ingenuidade e a resiliência do ser humano ou a maldade de um vírus.

Não estávamos preparados.

Somos capazes de encontrar fraquezas. Penso que a globalização e a alta tecnologia, a inteligência artificial, tudo isso criou os problemas. Porque é que isto acontece? Os chineses que avançaram de forma brutal na tecnologia, financeiramente, economicamente, industrialmente, continuaram a manter os hábitos milenares, mas a nova geração já não está imunizada. Comiam os morcegos e ficavam imunizados. Mas esta geração do McDonald’s já não está. Por isso o vírus entrou. E como era um hábito milenar deles comerem assim, ninguém se preocupou, ninguém pensou. E espalhou-se pelo mundo inteiro. Não acredito que isto seja um ataque chinês ao Ocidente. Há quem defenda que eles fizeram uma zona ficar infetada para depois ficar imunizada e então se espalhar pelo resto do mundo. A verdade é que a maneira de comerem, beberem e a vida moderna não são compatíveis. E ninguém pensou nisso.

Fonte: Sol