Câmara Luso-Brasileira marca presença em debate sobre oportunidades para Portugal e Brasil no novo contexto internacional

21 maio, 2026

O diretor da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira, João Santos Pinto, representou a instituição no evento organizado pelo Banco do Brasil, que teve lugar na residência do Embaixador do Brasil, dedicado à relação económica entre Portugal, Brasil, União Europeia e Mercosul.

A sessão permitiu uma reflexão sobre o momento actual da economia internacional, marcado pela transição de um paradigma de globalização aberta para um contexto mais fragmentado, competitivo e geopolítico. Foi sublinhado que esta nova realidade, embora traga riscos, também cria oportunidades relevantes para países com capacidade de ligação entre geografias, como Portugal e o Brasil.


Um dos temas centrais foi o Acordo entre a União Europeia e o Mercosul, visto como uma oportunidade estratégica para aprofundar a relação económica entre os dois blocos. Os oradores reconheceram que o acordo poderá gerar desafios para alguns sectores, em especial os mais expostos à concorrência internacional e às diferenças regulatórias. Ainda assim, salientaram que Portugal parece encontrar-se numa posição relativamente confortável, dada a menor sobreposição directa entre parte da sua estrutura exportadora e a estrutura produtiva do Mercosul.

Foi igualmente destacado o enorme potencial do Brasil, nomeadamente no agronegócio, na produção alimentar, na energia e nos recursos naturais. Ao mesmo tempo, foi referido que uma das grandes limitações continua a ser a capacidade de escoamento, logística e infra-estrutura, áreas em que existe ainda uma margem significativa de melhoria e investimento.

Do lado europeu, a análise foi mais prudente. Foram referidos os efeitos da subida das taxas de juro, da crise energética, da guerra na Ucrânia, do aumento das despesas com defesa e das fragilidades orçamentais de alguns países centrais da União Europeia.

Outro ponto muito debatido, segundo o diretor, foi o posicionamento estratégico de Portugal. Vários intervenientes defenderam que o país deve afirmar-se não apenas como porta de entrada para a Europa, mas como verdadeiro hub atlântico, capaz de atrair empresas, investimento, talento e centros de decisão. Para isso, será essencial reduzir burocracias, reforçar competitividade e criar condições mais favoráveis ao crescimento empresarial.

Foi ainda interessante ouvir a perspectiva de que muitos activos brasileiros continuam a negociar a níveis considerados atractivos, em parte devido ao actual contexto de taxas de juro elevadas. Alguns oradores recordaram que ciclos económicos mais restritivos tendem historicamente a gerar oportunidades relevantes para investidores com visão de médio e longo prazo.

No conjunto, o evento deixou uma mensagem clara. Num mundo mais instável e fragmentado, a relação Portugal Brasil poderá ganhar uma nova centralidade estratégica, transformando afinidade histórica, cultural e linguística em investimento concreto, comércio efectivo, inovação, produtividade e presença empresarial estruturada nos dois lados do Atlântico.

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