Home Office e ESG: Uma nova Realidade de Responsabilidade Corporativa e de Sustentabilidade

30 outubro, 2024

Por António Saraiva

Business Development Manager – ISQ Academy

Não tem sido amplamente discutida a prática de alinhamento do designado Home Office com os princípios ESG (Ambiental, Social e Governança). Se, por um lado, o primeiro tem ganho destaque, o segundo é uma referência para a responsabilidade corporativa e a sustentabilidade. Sem se desejar reativar as questões relacionadas com a recente pandemia, a verdade é que a mesma representou uma queda drástica nas emissões de CO2, na ordem de uma redução de um bilião de toneladas. Este é, pois, um dos argumentos mais determinantes em defesa do Home Office, para além das relacionadas com a flexibilidade nos métodos de trabalho.

Estudos recentes apontam para que este modelo de trabalho, em particular numa lógica de trabalho híbrido, traga vantagens com um significativo potencial para a melhoria da sustentabilidade financeira, conservação de recursos naturais e redução do impacto ambiental das Organizações. E, em muito, a melhoria do bem estar das Pessoas, mas também no aumento da inclusão. Daí que o mesmo, apareça cada vez mais nas agendas ESG do tecido empresarial. Como exemplo, de acordo com uma pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT), os modelos de trabalho híbrido poderiam reduzir as emissões de carbono em cerca de 20%.

Os estudos são claros no alinhamento entre o trabalho híbrido e a agenda ESG, como fator de melhoria da Gestão de Pessoas, justamente pela promoção do bem estar e inclusão, já que oferece maior flexibilidade e autonomia, permitindo que trabalhem de qualquer lugar, a qualquer momento. Logicamente no cumprimento da legislação existente. Nesta base é importante reforçar-se que esta situação gera mais oportunidades, nomeadamente para quem vive em localidades distantes, fora dos grandes centros, facilitando a entrada no mercado de trabalho de certos grupos com organizações familiares mais complexas, ou com necessidades de suporte, já para não se falar de pessoas com deficiência, citando-se alguns exemplos.

Não devemos, e por isso o foco ser num modelo híbrido, esquecer a determinante importância de as Pessoas não perderem os mecanismos de socialização no espaço organizacional. E é neste equilíbrio que, pelos estudos existentes, se revelam níveis mais elevados de satisfação e comprometimento das Pessoas, expressos, na maioria das vezes, por aumento da produtividade. Sem dúvida que tudo isto carece de políticas e procedimentos de Gestão de Pessoas assentes num diagnóstico objetivo e rigoroso, já que a realidade empresarial é diversa, existindo sempre a necessidade de um alinhamento efetivo com os processos produtivos. No ISQ Academy, reconhecemos a necessidade da mudança de paradigma, alinhando a nossa intervenção, numa abordagem conjunta com os nossos Clientes, quer na execução deste diagnóstico, quer no desenho de uma abordagem holística e colaborativa de intervenção, em que a capacitação das Pessoas, nesta nova realidade, representa responsabilidade social, fundamental para um mundo mais sustentável.

O ESG, como se sabe, é uma abordagem holística que vai para além dos indicadores financeiros, tendo no cerne a sustentabilidade, a Ética e a criação de Valor, numa lógica de longo prazo. É, pois, uma abordagem transformadora com forte impacto no governo de uma Organização, quer por identificar potenciais riscos e vulnerabilidades, quer no incentivo à inovação. E, de alguma forma, estes compromissos ESG melhoram as relações dentro da Organização, mas, também, com os respetivos stakeholders, sejam clientes, fornecedores, ou a própria Comunidade. São, pois, um catalisador de mudanças positivas. É, nesta linha, que modelos de trabalho flexíveis, como o caso do modelo híbrido, respondem, ou melhor, estão inteiramente imbrincados nos princípios ESG. Apostar nesta flexibilidade é investir e adotar práticas sustentáveis, com forte impacto na melhoria da reputação da Organização e um forte contributo para a inclusão económica e social. E esta é uma transformação que não se encontra confinada ao local de trabalho, estende-se e influencia positivamente a Sociedade.

Como força de mudança positiva, os princípios ESG estão a revolucionar as Organizações, e o próprio Mercado no seu todo. Pretende-se um futuro mais responsável e resiliente. Melhor alinhamento de Valores Organizacionais e de Visão, são desafios para as lideranças. Realinhamento de indicadores, pelas exigências de medição contínua do progresso de iniciativas, aumentam a transparência e a responsabilidade. Envolvimento de todos os atores e stakeholders organizacionais, promovem não só práticas colaborativas, mas a responsabilidade pelos resultados. E é nesta recorrente Responsabilidade, individual e coletiva, que assenta a forte ligação e coerência entre o Home Office, particularmente o modelo híbrido, e os Princípios ESG. No ISQ Academy, queremos estar no presente, fazendo parte do futuro, promovendo a integração da sustentabilidade nos modelos de negócio das Organizações, apoiando as prioridades de atuação e a capacitação de Pessoas.

in RH Magazine, maio de 2024

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